terça-feira, 11 de março de 2008

Motivos para não se querer o que se quer...

Certamente todos nós já tivemos esse mesmo problema para resolver: querer o que não se quer (ou o que não deva querer, ao senso comum). Talvez esse seja um dos motivos dessa minha insônia, uma das coisas que me tira o sono, mas o querer ainda continua. E sei que vou acordar quererendo ainda... quem disse que "querer é poder" devia ter muita sorte de conseguir tudo (ou quase tudo) que sempre quis, pois na prática, as coisas não acontecem bem assim... toda ação gera uma reação, que pode ser em cadeia, e aí, o querer pode ficar aprisionado... piadinhas à parte, numa terça bruta como essa, sem sono, tendo muita coisa para fazer e nenhum ímpeto para começar qualquer uma delas, ao menos, estou procurando um motivo para algo que me consome, embora no fundo eu saiba qual o motivo disso tudo... é só desquerer e pronto, assim como é simples estancar um líquido que flui ou parar o vento num dia cinza de outono...

Isso me lembra mais uma música, dessa vez das antigas, do Heróis da Resistência, que tbm é uma das minha preferidas, cujo título é "O que eu sempre quis"... que coincidência hein??? Devaneios à parte, se eu encontrasse um motivo para não querer, simplificaria tudo... o detalhe é que eu não quero encontrá-lo... será que eu dormirei e acordarei em paz??? Enjoy the Silence

O Que Eu Sempre Quis (Heróis da Resistência)

O vento sopra a noite sobre mim
E eu sinto tanto frio, mas eu sei
Melhor ficar assim, melhor não ter
Alguém pra ir embora, pra esquecer
Então você me trouxe pro lado quente e doce
Então você me trouxe o que eu queria ter

Depois de tanto tempo eu durmo em paz
Que eu já não tenho tanto pra esquecer
Todo momento bom me faz lembrar
Cada sorriso seu me faz viver
O que eu sempre quis viver

O vento varre a noite de uma vez
E o frio que eu sentia vai também
E quando nasce o dia sobre nós
O dia é só pra gente mais ninguém
Por que você me trouxe pro lado quente e doce
Por que você me trouxe o que eu queria ter

Depois de tanto tempo eu durmo em paz
Que eu já não tenho tanto pra esquecer
Todo momento bom me faz lembrar
Cada sorriso seu me faz viver
O que eu sempre quis viver

E mesmo sem querer você me deu
O que mesmo sem saber no fundo eu sempre quis
E agora que eu já sei eu vou fazer
O que eu puder fazer pra te fazer feliz

Depois de tanto tempo eu durmo em paz
Que eu já não tenho tanto pra esquecer
Todo momento bom me faz lembrar
Cada sorriso seu me faz viver
O que eu sempre quis viver

terça-feira, 4 de março de 2008

Ainda houve um amanhã...

Felizmente, o amanhã ainda chegou para mim...
Esses últimos dias tem sido muito conturbados, muita coisa acontecendo tanto na minha vida pessoal quanto no trabalho, pouco tempo para curtir os dias de céu de brigadeiro e as noites cheias de estrelas e sonhos (e que sonhos...). E muita coisa para resolver, muitos conflitos internos, muita briga entre o desejo e a consciência, muitas oportunidades... "é tanta coisa no menu que eu não sei o que comer...", como já disse Raulzito... Aos poucos, espero poder colocar tudo em ordem, deixar "a cara limpa, a roupa suja esperando que esse tempo mude... nessa terra de gigantes, que trocam vidas por diamantes..." (Humberto Gessinger)
Por hora, deixo uma das canções que eu gosto muito, e que falam um pouco dessa dualidade entre mim e os outros, entre o eu e o mundo. Essa é uma das canções que, ao ouvir, sempre me pergunto porque eu não a fiz antes do Paulinho Moska... mas ele é um baita compositor, e expressou bem o que eu penso em "A Seta e o Alvo". Carpe diem
A Seta e o Alvo (Paulinho Moska)
Composição: Paulinho Moska e Nilo Romero

Eu falo de amor à vida,
Você de medo da morte.
Eu falo da força do acaso
E você de azar ou sorte.

Eu ando num labirinto
E você numa estrada em linha reta.
Te chamo pra festa,
Mas você só quer atingir sua meta.
Sua meta é a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu olho pro infinito
E você de óculos escuros.
Eu digo: "Te amo!"
E você só acredita quando eu juro.

Eu lanço minha alma no espaço,
Você pisa os pés na terra.
Eu experimento o futuro
E você só lamenta não ser o que era.
E o que era?
Era a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu grito por liberdade,
Você deixa a porta se fechar.
Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar.

Eu corro todos os riscos,
Você diz que não tem mais vontade.
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com metade.
É a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa não te espera!

Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?

Sempre a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?

segunda-feira, 3 de março de 2008

Fiat lux!

No reveillon de 2006/2007 tive a idéia de iniciar meu blog, pois não tenho como compartilhar tudo o que penso com todos, e ao mesmo tempo não consigo dar vazão a tudo o que penso, e perco muitos pensamentos, desejos e idéias por não dar vazão a essa verdadeira “tempestade mental”.
A idéia foi amadurecendo, cheguei a tentar iniciar algo anteriormente, mas não ficou como eu queria, até que agora, finalmente, consegui iniciar.
Espero que esse espaço possa ser uma troca de idéias sobre todos os assuntos aqui abordados, e que possam surgir boas discussões e idéias nestas linhas que se seguirão...
Desde já esse espaço fica aberto a todos que quiserem compartilhar o que pensam comigo, pois quero entender a mim mesmo, e a melhor maneira de me enxergar é através de olhos que não são meus, e de pensamentos que não saem de minha mente, me contradizendo ou me mostrando outros pontos de vista.

Para iniciar, abro uma discussão que diariamente fazemos inconscientemente com esse texto que encontrei e que nos faz refletir: e se não houver amanhã???


"Se não houver amanhã... (autor desconhecido)

Sabe, eu que costumava deixar muitas coisas para amanhã, resolvi lhe dizer, hoje, o quanto você é importante para mim, porque quando acordei pela manhã, uma pergunta ressoava na acústica de minha alma: “E se não houver amanhã?”
Então, hoje eu quero me deter um pouco mais ao seu lado, ouvir suas idéias com mais atenção, observar seus gestos mais singelos, decorar o tom da sua voz, seu jeito de andar, de correr, de abraçar.
Porque... se não houver amanhã... eu quero saber qual é sua comida preferida, a música que você mais gosta, a sua cor predileta...
Hoje eu vou observar seu olhar, descobrir seus desejos, seus anseios, seus sonhos mais secretos e tentar realizá-los.
Porque, se não houver amanhã... eu quero ter gravada em minha retina o seu sorriso, seu jeito de ser, suas manias...
Hoje eu quero fazer uma prece ao seu lado, descobrir com você essa magia que traz tanta serenidade, quero subir aos céus com você, pelos fios invisíveis da oração.
Hoje eu vou me sentar com você na relva macia, ouvir a melodia dos pássaros e sentir a brisa acariciando meu rosto, colado ao seu, em silêncio... e sem pressa.
Hoje eu vou lhe pedir por favor, agradecer, me desculpar, pedir perdão, se for necessário.
Sabe, eu sempre deixei todas essas coisas para amanhã, mas o amanhã é apenas uma promessa... O hoje é presente.
Assim, se não houver amanhã, eu quero descobrir hoje qual é a flor que você mais gosta e lhe ofertar um belo ramalhete.
Quero conhecer seus receios, lhe aconchegar em meus braços e lhe transmitir confiança...
Hoje, quando você for se afastar de mim, vou segurar suas mãos e pedir para que fique um pouco mais ao meu lado.
Sabe, eu sempre costumo deixar as palavras gentis para dizer amanhã, carinhos para fazer amanhã, muita atenção para prestar amanhã, mas o amanhã talvez não nos encontre juntos.
Eu sei que muitas pessoas sofrem quando um ser amado embarca no trem da vida e parte sem que tenham chance de dizer o que sentem, e sei também que isso é motivo de muito remorso e sofrimento.
Por isso eu não quero deixar nada para amanhã, pois se o amanhã chegar e não nos encontrar juntos, você saberá tudo o que sinto por você e saberei também o que você sente por mim.
Nada ficará pendente...
Quero registrar na minha alma cada gesto seu.
Quero gravar em meu ser, para sempre, o seu sorriso, pois se a vida nos levar por caminhos diferentes eu terei você comigo, mesmo estando temporariamente separados.
Sabe, eu não sei se o amanhã chegará para nós, mas sei que hoje, hoje eu posso dizer a você o quanto você é importante para mim.
Seja você meu filho, minha filha, meu esposo ou esposa, um amigo talvez, você vai saber hoje, o quanto é importante para mim... porque, se não houver amanhã...
Amanhã o sol será o mesmo mensageiro da luz mas as circunstâncias, pessoas e coisas, poderão estar diferentes.
Hoje significa o seu momento de agir, semear, investir suas possibilidades afetivas em favor daqueles que convivem com você.
Hoje é o melhor período de tempo na direção do tempo sem fim..."


Cada vez mais eu penso que realmente não há um amanhã, pois para mim, no espaço-tempo, só existe o agora. O que eu tenho é uma expectativa de que eu esteja consciente amanhã para fazer ou dizer tudo o que eu quero, mas essa não é uma certeza nem para mim, nem para nenhum de nós. Mas infelizmente minha vida tem muito de amanhã ainda, e não há como deixar de pensar no amanhã, pois muitos de meus sonhos e anseios dependem dele para se realizarem. Muitas pessoas só estarão a nosso lado no amanhã, muitas palavras e ações só poderão ser ditas e realizadas amanhã... O agora é muito pequeno para comportar tudo o que preciso fazer, falar, escutar e aprender... e o agora é tão efêmero, que enquanto eu escrevia sobre ele, se transformou em passado, e não há mais como mudar nada do agora, mas tenho a cada momento um agora para ser escrito novamente... é tão estranho pensar no tempo dessa maneira que é até perigoso tentar descobrir como ele funciona, e para que serve... se um dia pudermos dobrar a linha espaço/tempo e fazermos a ponte para o passado ou futuro, como a teoria científica diz (um bom texto para começar a pensar sobre: http://www.comciencia.br/reportagens/2005/03/04.shtml) poderemos então unir o tempo filosófico, que é como cada um de nós encara o tempo, conforme a minha visão acima, com o tempo científico da teoria da relatividade. Possível ou impossível, cabível ou incabível, faça sua aposta. A minha é de que cogito, ergo sum, mas por via das dúvidas, desejo que nós todos saibamos usar nosso tempo da melhor maneira possível. Carpe diem!